terça-feira, 30 de outubro de 2007
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Luta e busca um novo horizonte
Uma nova primavera
Libertando-se das mãos violentas
Sujas de sangue de
Homens, mulheres e crianças
Lutadores
Sonhadores
Ou sobreviventes
De um mundo pertencente
A uns poucos,
Que nos tomam a liberdade
A juventude
A esperança de que é possível transformar
Que oprimem para melhor explorar
Que exploram para melhor oprimir
Gritas rebeldia
Indigna-se
E soma forças com a certeza
De que outras primaveras virão
Com a certeza de que tudo vale a pena
Pedras
Lágrimas
Gritos
Gritas rebeldia
E grita alto
Forte e verdadeiramente
Para que cada homem
Cada mulher
Possa escutar e somar-se
Nesse grito contido
Engasgado
Com a certeza de que tem força
Para suportar a dor
Mas que tem força, sobretudo
Para lutar e transformar
Para exigir o impossível
Uma vida nova
Sem a violência cotidiana da
Busca do pão e da liberdade
Para que o mundo seja daqueles
Que verdadeiramente
O constroem:
Homens, mulheres
Filhos da revolução!

Gosto de te ter na minha vida, amigo novo. Um amigo novo faz-nos pensar em nós, em quem somos para nos apresentarmos e no que gostamos mais para poder partilhar. Depois, há o encontro de ideias, pensamentos, palavras e sentires.
Gosto de aprender algo de novo todos os dias e um amigo novo ensina-nos muitas coisas. Faz-nos pensar em coisas vendo-as de outra forma. Faz-nos imaginar outros mundos com as suas vivências pessoais. Ensina-nos a gostar de outras músicas, outras leituras e outros prazeres.
É preciso ter muito cuidado com as amizades nascentes porque, não conhecendo bem o amigo novo, podemos melindrá-lo sem querer. Fazemos apenas parte do seu presente. Não sabemos do seu passado nem dos momentos felizes nem das mágoas que carrega consigo.Por isso, amigo novo, fala comigo sem reservas mentais. Abre o teu coração como as folhas dum livro ainda por preencher. Se te magoar, perdoa-me. Se te alegrar, sorri-me, mas não deixes que malentendidos possam turvar as águas desta amizade nascente.
Quando quiseres já sabes onde encontrar-me. Quando precisares chama por mim. Logo que eu puder responderei ao teu apelo.
Um abraço de amorizade
Juliette Binoche na Playboy francesa

quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Carta de Carlos Drummond de Andrade
Que impressão me deixou o seu livro*!
Tentei exprimi-la nestas palavras:
– Onde estivestes de noite
Que de manhã regressais
com o ultramundo nas veias,
entre flores abissais?
– Estivemos no mais longe
que a letra pode alcançar:
lendo o livro de Clarice,
mistério e chave do ar.
Obrigado, amiga! O mais carinhoso abraço da admiração do
Carlos
* Onde estiveste de noite.
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Just In Time (tradução)
Bem a tempo você me encontrou bem a tempo
Antes de você vir meu tempo estava se esgotando
Eu estava perdida os dados perdedores foram lançados
Todas as minhas pontes foram atravessadas nenhum lugar pra ir
Agora você está aqui agora sei aonde estou indo
Nenhuma dúvida a mais ou medo eu encontrei meu caminho
O seu amor veio a tempo você me encontrou bem a tempo
E mudou minhas noites vazias naquele dia afortunado
Bem a tempo
Antes de você vir meu tempo estava se esgotando oh baby
Eu estava perdida os dados perdedores foram lançados
Todas as minhas pontes foram atravessadas, nenhum lugar pra ir
Agora você está aqui agora sei aonde estou indo
Nenhuma dúvida a mais ou medo eu encontrei meu caminho
O seu amor veio a tempo você me encontrou bem a tempo
E mudou minhas noites vazias e mudou minhas noites vazias
E mudou minhas noites vazias e mudou minhas noites vazias
E mudou minhas noites vazias naquele dia afortunado
AXIOMA
Sempre é melhor
saber
que não saber.
Sempre é melhor
sofrer
que não sofrer
Sempre é melhor
desfazer
que tecer
Carta - Testamento de Leon Trotsky

Não preciso mais uma vez refutar aqui a calúnia vil de Stalin e seus agentes: não há uma só mancha sobre minha honra revolucionária. Não entrei, nem direta nem indiretamente, em nenhum acordo, ou mesmo em nenhuma negociação de bastidores, com os inimigos da classe operária. Milhares de adversários de Stálin tombaram, vítimas de falsas acusações. As novas gerações revolucionárias reabilitarão sua honra política e tratarão seus carrascos do Kremlin como eles merecem.
Agradeço ardentemente aos amigos que se mantiveram leais através das horas mais difíceis de minha vida. Não cito nenhum em particular, porque não os posso citar todos.
Apesar disso, considero-me no direito de fazer exceção para o caso de minha companheira, Natália Ivanovna Sedova. Além da felicidade de ser um combatente da causa do socialismo, quis a sorte me reservar a felicidade de ser seu esposo. Durante quarenta anos de vida comum, ela permaneceu uma fonte inesgotável de amor, magnanimidade e ternura. Sofreu grandes dores, principalmente no último período de nossas vidas. Encontro algum conforto no fato de que ela conheceu também dias de felicidade.
Nos quarenta e três anos de minha vida consciente, permaneci um revolucionário; durante quarenta e dois destes, combati sob a bandeira do marxismo. Se tivesse que recomeçar, procuraria evidentemente evitar este ou aquele erro, mas o curso principal de minha vida permaneceria imutável. Morro revolucionário proletário, marxista, partidário do materialismo dialético e, por conseqüência, ateu irredutível. Minha fé no futuro comunista da humanidade não é menos ardente; em verdade, ela é hoje mais firme do que o foi nos dias de minha juventude.
Natascha acabou de chegar pelo pátio até a janela e abriu-a completamente para que o ar possa entrar mais livremente em meu quarto. Posso ver a larga faixa de verde sob o muro, sobre ele o claro céu azul, e por todos os lados, a luz solar. A vida é bela, que as gerações futuras a limpem de todo o mal, de toda opressão, de toda violência e possam gozá-la plenamente.
Leon Trotsky
Coyoacán, 27 de fevereiro de 1940.
Diante da natureza de minha doença (pressão sanguínea elevada e em constante elevação), parece-me que o fim chegará de repente e, provavelmente - é ainda uma hipótese pessoal -, por uma hemorragia cerebral. É o melhor dos fins que eu poderia desejar. É possível, entretanto, que eu me engane (não tenho a menor vontade de ler livros especializados, e os médicos naturalmente não me dirão a verdade). Se a esclerose tiver que assumir um caráter prolongado e eu for ameaçado de uma longa invalidez (neste momento, pelo contrário , sinto até uma intensa energia espiritual devida ao subir da pressão, mas isso não durará muito), reservo-me o direito de determinar por mim mesmo o momento de minha morte. O "suicídio" (se é esse o termo apropriado) não será, de maneira alguma, a expressão de uma explosão de desespero. Natascha e eu já nos dissemos mais de uma vez que, se chegados a uma tal condição física, preferiremos encurtar a própria vida, ou mais exatamente, o longo processo da agonia. Mas, sejam quais forem as condições de minha morte, morrerei com uma fé inquebrantável no futuro comunista. Esta fé no homem e em seu futuro dá-me, mesmo agora, uma tal força de resistência como religião alguma poderia me fornecer.
Leon Trotsky
3 de março de 1940.
terça-feira, 23 de outubro de 2007
"In Rainbows"

Depois da tempestade, a calmaria. "Nude" já era conhecida fazia tempo, e a versão final da canção (que pode ser encontrada em mais uns cinco arranjos diferentes por ai também com o nome de "Big Ideas") transformou a música em uma balada glacial com backings e teclados fazendo a cama em que os desejos sombrios se deitam, se enrolam e se enforcam: "Não tenha grandes idéias / Elas não vão acontecer / Você ira para o inferno / Para o que sua mente suja pensa", diz a letra, que ainda avisa, no refrão: "Ela te beija com a língua e te empurra para a cama: não vá, você vai querer voltar de novo". Thom Yorke canta magnificamente bem. "Weird Fishes/Arpeggi" é o que nome sugere: duas canções em uma. Na primeira parte a bateria é sincopada e repetitiva, com uma guitarra comandando, outra uma oitava abaixo no canal esquerdo, e uma terceira surgindo para engrossar a melodia alguns segundos depois. Após os quatro minutos (quando começa a segunda parte), a canção fica fantasmagórica.
Na belíssima "All I Need" quem toma as rédeas é o contrabaixo, desnudo e poderoso. Um pianinho surge mais a frente, mas a canção já está tão impregnada na pele que fica difícil retirar a linha de baixo da cabeça. É neste momento que o caos surge com Thom Yorke gritando: "Está tudo errado, está tudo certo, está toda errada". "Faust Arp" é acústica e traz viola e cordas. Soa estranha e bela após toda tempestade de baterias eletrônicas segundos atrás, como se fosse um momento de reflexão no meio do fim do mundo. As baterias retornam martelando de forma descompassada em "Reckoner", que lembra muito a safra "Kid A" e termina perguntando: "Eu atendo a todas as suas necessidades?" "House of Cards" é um dos pontos altos de "In Rainbows", um jazzinho eletrônico espacial de fazer robôs chorarem. Na letra, o personagem diz que não quer amizade, só sexo, aconselha a outra parte a esquecer de seu castelo de cartas, pois ele vai desabar, mas antes avisa: "Jogue as chaves na tigela e dê um beijo de boa noite em seu marido" (assista "Tempestade de Gelo", de Ang Lee, que a frase - e a letra - se explica).
O disco está chegando ao fim, mas antes uma surpresa: "Jigsaw Falling Into Place" – outra famosa nas edições bootleg, também conhecida como "Open Pick" – aparece com violões onde antes a guitarra comandava, e joga a versão final da canção para o grupo de músicas nota 10 de "In Rainbows" ao chocar violões com bateria eletrônica. As portas se fecham com baterias em eco e clima de despedida. É "Videotape", música em que Thom Yorke avisa: "Esta é minha maneira de dizer adeus / Porque eu não posso fazer isso cara-a-cara / Estou conversando com você / Antes que isso seja tarde demais / Através de meu videotape". O clima é de lirismo. Thom começa cantando sobre notas de piano. No refrão, a bateria surge com ecos acompanhando a repetição da palavra videotape, e fica quase até o final, quando a letra fecha a canção (e o álbum) de forma encantadora: "Não importa o que acontece agora / Eu não terei medo / Porque hoje eu sei que terei tido / O dia mais perfeito que eu já vi".
por Marcelo Costa
我虽死去Though I am Gone
"Though I Am Gone" é um potente documentário dirigido pelo cineasta independente Hu Jie. Nele, o documentarista acompanha a impressionante forma como Wang Jingyao registrou o falecimento de sua esposa Bian Zhongyun, professora do ensino médio em uma escola de elite que foi vítima de espancamento por alunas de sua própria classe, fanáticas da Guarda Vermelha, durante o "Agosto Sangrento" de 1966 (apenas uma das 3 milhões de vítimas da Revolução Cultural na China). As alunas eram filhas de funcionários de alto escalão do Partido Comunista, alguns deles ainda no poder. Como se liderasse uma investigação forense, "Though I Am Gone" mostra como o viúvo e filha de Bian Zhongyun mantiveram o cadáver após seu falecimento, banhando-o e limpando-o. Wang Jingyao comprara uma câmera fotográfica após a morte e com ela, ao registrar as evidências que cercam seu assassinato, acidentalmente constrói um dos documentos mais historicamente importantes dessa era.
Fonte: Blog Indie
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
Carta de suicídio (a Leonard Woolf) escrita por Virginia Woolf

Tenho certeza de estar ficando louca novamente. Sinto que não conseguiremos passar por novos tempos difíceis. E não quero revivê-los.
Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Portanto, estou fazendo o que me parece ser o melhor a se fazer. Você me deu muitas possibilidades de ser feliz. Você esteve presente como nenhum outro. Não creio que duas pessoas possam ser felizes convivendo com esta doença terrível. Não posso mais lutar. Sei que estarei tirando um peso de suas costas, pois, sem mim, você poderá trabalhar. E você vai, eu sei. Você vê, não consigo sequer escrever. Nem ler. Enfim, o que quero dizer é que depositei em você toda minha felicidade.
Você sempre foi paciente comigo e realmente bom. Eu queria dizer isto - todos sabem. Se alguém pudesse me salvar, este alguém seria você. Tudo se foi para mim mas o que ficará é a certeza da sua bondade. Não posso atrapalhar sua vida. Não mais.
Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos.